O uso medicinal de canabinoides avançou de forma significativa nas últimas décadas. Isto é resultado de diversos estudos científicos que ajudam a comprovar os benefícios da maconha para a saúde. Além disso, a prática ambulatorial também ajuda a nortear novos protocolos de atuação. Nesse sentido, os canabinoides mais estudados e conhecidos são o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC).
Embora compartilhem origem botânica e semelhanças estruturais, THC e CBD apresentam mecanismos de ação, indicações terapêuticas e perfis de segurança diferentes. Dessa forma, é essencial que tanto prescritores quanto pacientes compreendam essas diferenças. Venha conhecer um pouco mais sobre as semelhanças e diferenças do uso de cada um desses canabinoides na prática. Confira:
O que é o CBD?
O canabidiol é o fitocanabinoide mais conhecido e estudado para uso medicinal. O óleo à base de CBD possui propriedades anti-inflamatória, ansiolítica, analgésica e neuroprotetora. Por isso, o canabidiol é indicado para alívio da ansiedade, controle de dores e inflamações, melhoria da qualidade do sono, tratamento de convulsões, entre outros usos.
Outra importante aplicação do canabidiol é no uso tópico, diretamente na pele. A pomada de canabidiol pode ser uma alternativa para o tratamento de dores musculares e articulares, reduzir inflamações e lesões locais. Além disso, o CBD aplicado na pele pode ajudar no tratamento de doenças da pele, como dermatites e psoríase. A APEPI produz a pomada CBD Plus, com 500mg de extrato de canabidiol e ativos da Amazônia.
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O que é o THC?
O THC é o principal fitocanabinoide psicoativo produzido pela maconha. Por isso, o THC é o responsável pelos efeitos euforizantes da maconha. Assim, por atuar sobre o sistema nervoso central, o THC apresenta importantes aplicações terapêuticas. O THC é uma excelente alternativa para o tratamento de dores neuropáticas e oncológicas, distúrbios musculares, náuseas e vômitos.
Do mesmo modo, por apresentar efeitos de estímulo da fome, o THC pode ser uma ferramenta para o tratamento de distúrbios alimentares, como anorexia ou em pacientes com dificuldade de ingestão de alimentos. O tetrahidrocanabinol possui também efeitos anticonvulsivantes, ansiolíticos, entre outros. Além disso, o THC também costuma estar associado ao uso adulto da cannabis.
Como o CBD e o THC atuam no corpo?
THC e CBD possuem o mesmo número de átomos de carbono e compartilham um núcleo molecular semelhante. No entanto, pequenas diferenças estruturais resultam em interações farmacológicas profundamente distintas com o sistema endocanabinoide.
O THC atua principalmente como agonista parcial dos receptores CB1 e CB2, com predominância funcional no CB1, receptor amplamente distribuído no sistema nervoso central. Essa ação explica seus efeitos analgésicos, antieméticos e orexígenos, mas também seus efeitos psicoativos e cognitivos.
Já o CBD apresenta baixa afinidade direta por CB1 e CB2 e exerce seus efeitos por mecanismos mais amplos e indiretos, incluindo modulação para reduzir a ativação do CB1. Justamente por possuir outras formas de regulação do sistema endocanabinoide, o CBD pode atenuar efeitos psicoativos ou de excitação do THC quando ambos são administrados em conjunto.
CBD, THC ou ambos?
Como sabemos, o CBD concentra hoje a evidência clínica mais consistente dentro da terapêutica endocanabinoide, especialmente no campo da neurologia. Já o THC apresenta maior tradição clínica em indicações específicas, como náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, estimulação do apetite em pacientes.
Entretanto, o uso terapêutico do THC pode revelar-se um desafio ao prescritor, em virtude de seus efeitos psicoativos. Os estudos recentes sugerem que o uso combinado de THC e CBD pode resultar em perfil terapêutico distinto do uso isolado de cada composto. Evidências indicam que o CBD pode atenuar efeitos adversos do THC, como ansiedade e sintomas psicóticos, por meio da modulação do receptor CB1. Adicionalmente, estudos clínicos avaliam positivamente a combinação entre THC e CBD para o tratamento da espasticidade associada à esclerose múltipla.
Nesse sentido, o CBD pode ser uma importante opção terapêutica para atenuar efeitos adversos do THC. Embora os estudos avancem substancialmente, sabemos que a posologia ideal para a terapia canabinoide passa diretamente pela experiencia clínica e a relação dialógica médico-paciente. Contudo, cabe também ressaltar que o canabigerol (CBG) pode ser uma alternativa para diversos usos do THC.





