Um dos mais conhecidos efeitos da cannabis para a saúde está no controle das dores. O uso da cannabis como tratamento da dor atravessa culturas ao longo dos séculos. No entanto, devido ao proibicionismo e a guerra às drogas, apenas nas últimas décadas a cannabis vem sendo redescoberta pela ciência moderna. Diversos estudos recentes apontam para o benefício do uso de canabinoides como analgésicos. Em especial, o uso da cannabis pode ser uma alternativa para o tratamento de dores crônicas e dores neuropáticas.
Além de reduzir a dor, a cannabis pode ainda auxiliar no controle de inflamações. Desta forma, ela pode ajudar no controle de dores crônicas e dores neuropáticas e ainda com menos efeitos colaterais do que analgésicos e anti-inflamatórios tradicionais. Veja mais sobre como a cannabis pode aliviar a sua dor.
Como a cannabis pode reduzir a dor crônica?
A dessensibilização da dor crônica passa por muito mais do que tratar a sensibilidade à dor. O tratamento da dor crônica deve envolver uma abordagem ampla. Não só com o uso de analgésicos, como também incorporar aspectos como fisioterapia, exercícios físicos e terapia psicológica. Nesse sentido, a terapia canabinoide aparece como uma alternativa holística para o tratamento da dor crônica.
Os principais canabinoides que podem ajudar no controle da dor crônica são o CBD e o THC. De modo geral, eles atuam em receptores do sistema nervoso, em especial o CB1), modulando a transmissão de sinais de dor e inflamação. Além de reduzir a dor, a cannabis pode atuar sobre outros mecanismos que causam a dor crônica, como a resposta psicológica. No entanto, cabe a um médico prescritor o papel de definir a melhor estratégia de tratamento.
Como a cannabis reduz a dor?
O grande segredo para entender os efeitos da cannabis para reduzir dores está no sistema endocanabinoide. Em resumo, o corpo humano e diversas outras espécies animais possuem uma complexa rede de mensageiros, receptores e enzimas que atuam na regulação de vários outros sistemas. Estes mensageiros internos, como a anandamida (AEA) e a 2-araquidonoilglicerol (2-AG), são quimicamente semelhantes aos fitocanabinoides, produzidos pela planta, como o canabidiol (CBD), o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabigerol (CBG).
Na outra ponta do processo, os receptores canabinoides estão presentes na superfície das células em diversas partes do corpo. Podemos estes receptores são divididos em CB1 e CB2. Os receptores CB1 são encontrados principalmente no cérebro e sistema nervoso central e regulam funções como a coordenação, memória, humor e percepção da dor. Já os receptores CB2 estão presentes principalmente no sistema imunológico e nos tecidos periféricos, por isso estão mais envolvidos na resposta imune e anti-inflamatórias.
Por isso, quando absorvidos pelo organismo, os fitocanabinoides ajudam a manter ou facilitam a homeostase, o equilíbrio físico e mental. Em relação a dor crônica e dor neuropática, os canabinoides da planta podem atuar não só reduzindo a sensação de dor, como também tratando inflamações relacionadas com a dor.
O que é dor crônica?
Dor crônica é uma dor que persiste por um longo tempo. Comumente, uma dor é considerada crônica quando dura por mais de 3 meses, mesmo após a cura de uma lesão ou sem uma causa evidente contínua. Ao contrário da dor aguda, aquela que resulta de um sinal de alerta do corpo, como machucados ou lesão, a dor crônica é uma condição de saúde por si só, muitas vezes relacionada a alterações no sistema nervoso.
Em geral, na dor crônica, o sistema nervoso tende a estar mais sensibilizado. Dessa forma, o corpo continua enviando sinais de dor mesmo sem lesão ativa. Por isso, mesmo estímulos leves podem ser percebidos como dor. A dor crônica pode surgir por diferentes motivos. Destacam-se as doenças musculoesqueléticas, como a fibromialgia; doenças inflamatórias, como artrites e artroses; lesões crônicas na coluna, como hérnia de disco e lombalgia; e lesões musculares que não cicatrizaram devidamente. A dor crônica pode ser também o resultado de tratamentos oncológicos.





