Muito além do debate tradicional, a cannabis medicinal pode ser uma grande aliada para pacientes oncológicos. Como já se sabe, alguns sintomas passam a ser mais frequentes conforme o processo quimioterápico avança. Perda de apetite, náuseas, vômitos e dores são algumas das respostas que o corpo dá ao tratamento e que impactam o dia a dia da pessoa. É respondendo a esses desafios que a ciência avalia óleos de cannabis à base de CBD (canabidiol) e de THC (tetrahidrocanabinol) como uma alternativa terapêutica eficaz para o controle de sintomas do câncer.
Neste guia, você entende quais são os principais benefícios que a cannabis medicinal pode trazer para a rotina de pacientes oncológicos. Confira a seguir como óleos de canabidiol e THC atuam no combate de sintomas como perda de apetite, náuseas, vômitos e dores:
Canabidiol e THC para perda de apetite no câncer: como a cannabis pode ajudar?
Para entender como funciona a interação entre a cannabis e a sensação de fome, é preciso conhecer o sistema endocanabinoide. Trata-se de uma rede biológica que está em todo corpo, mas com atuação de destaque no cérebro e no estômago. Ele ajuda a regular funções essenciais como o sono, percepção da dor, humor e é claro, o apetite.
Acontece que é no sistema endocanabinoide que o CBD e o THC atuam ao entrar no corpo. Por terem uma estrutura muito semelhante às moléculas de fome produzidas pelo organismo humano, eles se encaixam diretamente nos receptores do sistema endocanabinoide referentes ao controle do nosso apetite.
Veja a seguir como atuam o canabidiol e o THC para a perda de apetite em pacientes oncológicos:
Canabidiol (CBD)
- Regulação geral: atua no equilíbrio do bem-estar e da digestão.
- Ação anti-inflamatória: acalma inflamações no intestino.
- Alívio da ansiedade: ajuda a controlar o estresse e a tensão que costumam surgir perto das refeições.
Tetrahidrocanabinol (THC)
- Ativação cerebral: o estímulo chega direto ao hipotálamo e desperta o apetite, mesmo se a quimioterapia tentar bloquear o sinal.
- Resgate dos sentidos: a ação nos receptores melhora a percepção do paladar e do olfato, o que ajuda a vencer o gosto metálico da medicação.
- Estímulo digestivo: o THC libera a grelina (hormônio da fome), acelera o esvaziamento do estômago e reduz o estufamento.
É pensando nisso que a APEPI oferece opções de tratamento com óleo de canabidiol, óleo de THC e até mesmo de formulações que combinam CBD e THC no mesmo frasco. Contudo, o tratamento deve ser conduzido por um médico prescritor, que irá definir a melhor estratégia de acompanhamento caso a caso.
Outras práticas para estimular o apetite durante o câncer
Como vimos, a cannabis pode ser uma forte aliada para o paciente recuperar o apetite ao longo do tratamento contra o câncer. No entanto, essa recuperação pode ser ainda mais proveitosa quando associada a pequenos cuidados na sua rotina.
Algumas práticas costumam passar despercebidas, mas podem ser importantes para melhorar a ingestão dos alimentos:
- Praticar atividades físicas leves e regulares
- Fracionar as refeições em pequenas porções
- Enriquecer os pratos com alimentos calóricos e nutritivos
- Servir as refeições frescas e recém-preparadas
- Caprichar no empratamento e nas cores dos alimentos
- Experimentar também refeições líquidas e geladas
Benefícios da cannabis para náuseas e vômitos em pacientes com câncer
Quem convive com a rotina do tratamento sabe: náuseas e vômitos estão entre os efeitos colaterais mais comuns da quimioterapia. Mesmo com os avanços da medicina tradicional, muitos pacientes ainda enfrentam esse tipo de desconforto diariamente. Isso não só impede uma alimentação adequada, como também desgasta o estado físico e emocional da pessoa.
Apesar disso, já existem estudos que apontam a possibilidade de controlar esses sintomas através da cannabis medicinal. Graças à atuação do canabidiol e do THC em regiões estratégicas do cérebro, o tratamento com esses compostos surge como uma alternativa eficaz para amenizar esse quadro.
Nesses casos, o CBD interage com receptores de serotonina para acalmar a irritação no estômago e amenizar a ansiedade antecipatória, isto é, aquele enjoo que surge só de lembrar do tratamento. Já o THC atua na zona de gatilho do cérebro, bloqueando o sinal do refluxo e interrompendo o impulso do vômito.
Cannabis para dores durante o tratamento oncológico: canabidiol e THC também podem ser opções?
Os óleos de cannabis podem ser uma alternativa eficaz para o alívio de dores oncológicas. Além de resgatar o apetite e amenizar as náuseas, os canabinoides atuam diretamente na modulação dos sinais de dor no sistema nervoso central. Isso inclui inflamações profundas e dores neuropáticas.
A dor no paciente oncológico pode surgir pela pressão de um tumor sobre órgãos e tecidos, por inflamações profundas ou por danos nos nervos provocados pela quimioterapia. Para muitos pacientes, analgésicos comuns e opióides trazem efeitos colaterais indesejados ou até mesmo deixam de fazer o efeito esperado ao longo do tempo.
Veja como o canabidiol e o THC podem ajudar pacientes que enfrentam dores:
- Bloqueio dos sinais de dor: O THC se conecta a receptores no sistema nervoso central e altera a forma como o cérebro processa a dor ao diminuir a sua intensidade.
- Ação anti-inflamatória: Um mecanismo bem conhecido do CBD no nosso corpo é a sua ação anti-inflamatória. Ao interagir com receptores do sistema imunológico, o canabidiol reduz a inflamação ao redor dos tecidos e acalma nervos hipersensíveis.
- Redução de analgésicos: A combinação de CBD e THC tornar mais eficiente o efeito de analgésicos tradicionais.
Todos os óleos da APEPI são produzidos a partir do cultivo agroecológico na Fazenda Sofia Langenbach, a primeira fazenda de cannabis para fins medicinais no Brasil. Dessa estrutura nascem opções como o CBD 3000, o THC 1800 e o Schanti 1000, que combina CBD e THC. Os óleos da APEPI contam com Certificado de Análise (COA) e padrão global de concentração.
O óleo de cannabis pode substituir a quimioterapia?
O óleo de cannabis não substitui a quimioterapia, e é fundamental que isso fique claro. Os canabinoides atuam como adjuvantes, ou seja, um tratamento complementar. É claro, o CBD e o THC podem ser extremamente eficazes no controle dos sintomas e efeitos colaterais decorrentes do câncer, mas não combatem diretamente as células tumorais. Essa função cabe unicamente aos tratamentos convencionais, como a quimioterapia e a radioterapia.
Quem faz quimioterapia pode tomar canabidiol? Há interação entre os medicamentos?
Como qualquer outra substância ativa, o canabidiol e o tetrahidrocanabinol podem interagir com medicamentos da quimioterapia. Falamos anteriormente sobre os diversos benefícios que esses dois compostos trazem durante o tratamento, mas isso não significa que o uso possa ser feito por conta própria.
Por isso, o acompanhamento do oncologista responsável é indispensável antes de iniciar qualquer tratamento com cannabis durante o traramento contra o câncer. Do mesmo modo, tão importante quanto isso é o acompanhamento de um médico experiente na prescrição de cannabis. É ele quem vai definir fatores como dosagem, frequência e duração do uso adequados para aproveitar todos os componentes da planta.
Desde 2014, a APEPI atua para tornar o acesso a esse cuidado o mais simples, seguro e acolhedor possível. Oferecemos o suporte necessário em cada etapa, ajudando você a encontrar médicos prescritores e a escolher os óleos de cannabis ideais para o seu caso.











