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Maconha na cabeça: Como a Cannabis interage com o GABA  

6 de set 2024
2 minutos de leitura
João Carlos

Nos últimos anos, nos acostumamos a ouvir falar sobre a bioquímica que envolve o sistema nervoso. Este é um conjunto de complexas reações que vem cada vez mais sendo desvendadas pela ciência. Hoje, já somos capazes de compreendê-lo melhor. Por exemplo, o papel dos neurotransmissores, os responsáveis por transmitir informações entre as células nervosas. Há neurotransmissores que enviam informações excitatórias, outros com ação inibitória e alguns são responsáveis por atuação moduladora. 

Um desses é o GABA (ácido gama-aminobutírico), o principal responsável pela ação inibitória dentro do sistema nervoso central. Na prática, este mensageiro avisa às principais regiões do cérebro — como o córtex cerebral, o hipocampo, o tálamo e o cerebelo — que é o momento de relaxar as atividades. E para esta missão, o sistema endocanabinoide pode ser um importante aliado. 

Como sabemos, os endocanabinoides ajudam a regular diversas reações em nosso organismo. Neste sistema, destacam-se os neurotransmissores como a AEA (anandamida) e o 2-AG (2-araquidonoilglicerol), que podem agir influenciando as atividades dos receptores GABA. Para tal, eles se ligam aos receptores canabinoides (CB1 e CB2) nos neurônios e ajudam a modular a liberação dos neurotransmissores, incluindo o GABA. 

Logo, o resultado desta interação pode ter efeitos ansiolíticos, anticonvulsivantes e relaxantes musculares. Alguns canabinoides tendem a facilitar este processo. É o caso, portanto, do CBD (canabidiol) que atua também de forma indireta nesse sistema. Semelhantemente, ocorre o mesmo com o CBG (canabigerol), . Eles ajudam a inibir a enzima de degradação do GABA, aumentando o tempo de permanência desse neurotransmissor na fenda sináptica. O mesmo ocorre com o uso de um MIX entre os canabinoides.

GABA e maconha: os resultados da interação

Assim, o tratamento à base dos canabinoides pode ser uma eficaz alternativa ao tratamento com medicamentos tradicionais, como os benzodiazepínicos. Isto porque os benzodiazepínicos também atuam potencializando os efeitos inibitórios do GABA, mas seu uso prolongado pode levar à dependência e a diversos efeitos colaterais. Por outro lado, a Cannabis apresenta propriedades ansiolíticas e anticonvulsivantes, mas sem os mesmos riscos de causar dependência. 

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