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Sistema endocanabinoide: Entenda como a Maconha interage com o corpo

10 de set 2024
2 minutos de leitura
João Carlos

O sistema endocanabinoide é uma rede de comunicação presente no organismo que participa da regulação de funções como dor, apetite, sono, humor, memória e resposta imunológica. Para cumprir esse papel, o sistema endocanabinoide é formado por moléculas produzidas pelo nosso próprio corpo, receptores celulares e enzimas que ajudam a produzir e a degradar os endocanabinoides. Foi a partir da descoberta dessa rede, então, que a ciência passou a compreender melhor como compostos da cannabis podem interagir com o organismo, em especial o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC).

O que é o sistema endocanabinoide e como ele funciona?

O sistema endocanabinoide é uma rede de sinalização biológica presente no nosso organismo. Como vimos no início, ele serve para regular diferentes processos: dor, apetite, sono, humor, memória, controle motor e resposta imunológica.

Sua atuação, porém, não acontece de forma isolada. Trata-se de uma rede que funciona em conjunto com outros sistemas do corpo e ajuda o organismo a se adaptar a mudanças internas e externas. Segundo revisões da Nature Reviews Neurology, é o trabalho coletivo entre o sistema endocanabinoide e esses outros mecanismos que garantem o nosso equilíbrio interno, também conhecido como homeostase.

Endocanabinoides: anandamida e 2-AG

Embora o nome sugira uma ligação exclusiva à cannabis, endocanabinoides são moléculas produzidas naturalmente pelo corpo humano. Entre os mais estudados, dois deles se destacam:

Receptores canabinoides: CB1 e CB2

Na outra ponta do processo, essas moléculas interagem com receptores localizados em diferentes células e tecidos. Entre eles, também se destacam dois:

Enzimas no sistema endocanabinoide: síntese e degradação 

Por último, mas não menos importante, temos as enzimas que ajudam a controlar esse processo. Elas participam tanto da produção quanto da degradação dos endocanabinoides que, após transmitirem os sinais necessários, são eliminados do corpo.

Juntos, esses três componentes formam o sistema endocanabinoide, uma rede que permite a manutenção do nosso equilíbrio interno diante das várias mudanças e estímulos do dia a dia.

Qual a relação entre o sistema endocanabinoide e a cannabis?

Foi a pesquisa sobre os efeitos da cannabis no nosso organismo que levou cientistas a identificar o sistema endocanabinoide e entender melhor seu funcionamento. Ao investigar como compostos da planta produzem efeitos no corpo humano, os pesquisadores descobriram que eles podem interagir com elementos presentes nessa rede, como endocanabinoides, receptores e enzimas.

É bom lembrar que a cannabis reúne mais de uma centena de canabinoides já identificados. Como são produzidos pela própria planta, esses compostos recebem o nome de fitocanabinoides. Enquanto os mais conhecidos são o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), outros compostos como o canabigerol (CBG) também têm atraído cada vez mais a atenção da ciência.

Como CBD, THC e CBG atuam e quais condições cada um pode tratar

Embora esses compostos possam interagir com o sistema endocanabinoide, eles não atuam todos da mesma maneira. Alguns apresentam interação mais direta com os receptores canabinoides, enquanto outros modulam essa atividade de forma indireta ou até mesmo atuam em outras vias do organismo.

Essas diferenças ajudam a explicar por que cada composto produz efeitos distintos e é indicado para condições de saúde específicas.

Canabidiol (CBD)

O canabidiol é o fitocanabinoide não psicoativo mais estudado. Ele age regulando a atividade do sistema endocanabinoide de forma indireta e interage com outros sistemas de sinalização, como receptores de serotonina e canais iônicos.

Por não ativar diretamente os receptores CB1 no cérebro, o canabidiol não produz o efeito de “barato”. No entanto, ele ainda é capaz de oferecer uma grande variedade de propriedades terapêuticas comprovadas.

As evidências científicas mais consistentes sobre o seu uso terapêutico envolvem o tratamento de alguns tipos de epilepsia (em especial as epilepsias refratárias), além do controle de quadros de ansiedade, dor crônica, insônia e condições inflamatórias.

Tetrahidrocanabinol (THC)

O THC é o principal composto psicoativo da cannabis e o responsável por alterar a percepção mental e deixar chapado. Isso acontece porque o tetrahidrocanabinol se liga diretamente aos receptores CB1, abundantes no nosso cérebro e sistema nervoso central.

Do ponto de vista terapêutico, essa ativação direta confere ao THC forte atuação sobre dor, apetite, espasmos musculares e humor. Suas evidências de uso mais consolidadas incluem o alívio de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, dor crônica (especialmente neuropática) e espasticidade associada à esclerose múltipla.

Canabigerol (CBG)

O CBG é um canabinoide menos conhecido, mas que vem ganhando grande destaque na ciência. Ele é considerado um canabinoide precursor, já que sua forma ácida (CBGA) dá origem aos outros compostos da planta, como o CBD e o THC.

Assim como o canabidiol, o canabigerol não deixa chapado. Os estudos atuais sugerem potencial anti-inflamatório, analgésico e neuroprotetor, com pesquisas também para doenças intestinais. Por ter um mecanismo de ação complementar, seu uso costuma ser pensado em conjunto com outros canabinoides.

CompostoDeixa chapado?Condições que pode tratar
Canabidiol (CBD)NãoEpilepsia (especialmente a refratária), transtornos de ansiedade, dor crônica, insônia e condições inflamatórias
Tetrahidrocanabinol (THC)SimEspasticidade na esclerose múltipla, dores crônicas (sobretudo neuropáticas) e náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia
Canabigerol (CBG)NãoDoenças inflamatórias intestinais, dores crônicas e quadros com foco em neuroproteção e controle inflamatório

Como estimular o sistema endocanabinoide

O sistema endocanabinoide já funciona naturalmente no organismo. Mas existem hábitos que podem influenciar a sua atividade e favorecer o bom funcionamento dessa rede.

Nesse sentido, a prática de exercício físico é um dos fatores mais estudados. Conforme revisão publicada no Cureus Journal of Medical Science, atividades aeróbicas podem aumentar temporariamente os níveis circulantes de endocanabinoides ao longo do corpo. É daí que vem, inclusive, o que as pessoas chamam de ‘’barato do corredor’’, aquela sensação de bem-estar e euforia que alguns relatam após praticarem atividades físicas mais intensas.

Além do aeróbico, outros hábitos do dia a dia podem influenciar a atividade do sistema endocanabinoide. Sono, manejo do estresse e alimentação também estão entre os principais fatores que se relacionam com o nosso equilíbrio interno.

Diferentemente dos produtos à base de cannabis, cujos compostos podem interagir com o organismo e gerar efeitos práticos no dia a dia, os hábitos da rotina não seguem uma fórmula universal. Todos os hábitos citados podem influenciar a atividade do sistema endocanabinoide, mas não existe um passo a passo capaz de ‘’ativá-lo’’ de forma garantida.

Os animais também possuem sistema endocanabinoide?

O sistema endocanabinoide não está presente apenas nos seres humanos. A ciência já aponta que ele também aparece em diferentes espécies animais, incluindo mamíferos, aves, peixes e répteis.

Em cães, gatos e outros animais sobre os quais já há estudos com maior respaldo científico, o sistema endocanabinoide participa da regulação de funções como dor, sono, apetite, controle motor, respostas imunológicas e ao estresse. Assim como nós, eles também produzem endocanabinoides e possuem receptores distribuídos por diferentes tecidos do organismo.

O uso terapêutico de cannabis em animais, porém, exige orientação direta de um médico-veterinário. A resposta ao tratamento varia de acordo com a espécie, porte, condição de saúde e outros medicamentos em uso.

Como escolher o tratamento com cannabis adequado

Como vimos há pouco, cada composto possui seu próprio perfil. Portanto, é natural que surjam dúvidas na hora de escolher qual composto ou combinação faz mais sentido em cada caso.

Vale dizer, então, que essa escolha não deve ser feita de forma isolada. É fundamental que ela dependa da avaliação de um médico prescritor de cannabis, que vai considerar a condição de saúde, os medicamentos já em uso e da resposta individual do paciente.

Na APEPI, os associados contam com uma rede de médicos prescritores com experiência em diferentes abordagens, além do apoio da nossa equipe de acolhimento ao longo de todo o tratamento. Além disso, facilitamos o seu acesso à cannabis oferecendo óleos 100% nacionais, sem taxas de importação.

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