A epilepsia é uma das condições neurológicas mais comuns entre os cães e pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos animais e de seus tutores. Em muitos casos, os anticonvulsivantes convencionais não são suficientes para controlar as crises ou causam efeitos colaterais que limitam o bem-estar do animal. Nesse cenário, o canabidiol (CBD) surge como uma alternativa promissora para o controle da epilepsia canina.
Confira o que os estudos mais recentes dizem sobre o uso do CBD na epilepsia canina, como o composto age no organismo dos cães e em quais situações ele pode ser uma alternativa ao tratamento convencional.
Epilepsia canina: o que é e como o CBD atua
A epilepsia é uma condição neurológica crônica caracterizada por crises convulsivas recorrentes, resultado de descargas elétricas anormais no cérebro. Em cachorros, a doença se manifesta com uma frequência considerável e em qualquer fase da vida.
Para compreender o potencial do CBD na epilepsia canina, é preciso entender o papel do sistema endocanabinoide no cérebro. Trata-se de uma rede de receptores presente em todos os mamíferos, incluindo os cães, que atua na regulação da atividade elétrica dos neurônios.
Em cães com epilepsia, o equilíbrio entre os sinais de excitação e inibição no cérebro é perturbado. Isso favorece o surgimento das descargas elétricas anormais que causam as convulsões. Ao interagir com esse sistema, o CBD contribui para estabilizar a atividade elétrica cerebral e reduzir a frequência das crises.
Além disso, o canabidiol apresenta propriedades anti-inflamatórias e neuroprotetoras que podem ser benéficas para cães com epilepsia. A inflamação cerebral crônica, por exemplo, é frequentemente associada ao agravamento das crises, e o CBD pode contribuir para reduzir esse processo ao passo que protege os neurônios de danos adicionais.
CBD para epilepsia canina: o que diz a ciência?
Um dos estudos mais relevantes foi conduzido por pesquisadores da Colorado State University. O trabalho acompanhou 39 cachorros diagnosticados com epilepsia e demonstrou redução na frequência de dias com convulsões nos animais que receberam CBD em comparação ao grupo placebo. Os efeitos colaterais foram considerados leves e o estudo foi o primeiro a validar cientificamente o potencial do canabidiol no tratamento da epilepsia canina.
Outro estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade da Flórida em 2022, acompanhou 14 cães cujas crises também não respondiam ao tratamento convencional. Os resultados mostraram redução significativa no número de convulsões durante o período de tratamento com CBD. No caso, cerca de 43% dos animais apresentaram redução de 50% ou mais na frequência das crises.
É importante destacar que, nos estudos disponíveis, os pesquisadores utilizaram o CBD sempre como terapia adjuvante, em combinação com os medicamentos anticonvulsivantes já em uso. Por isso, o acompanhamento de um veterinário experiente na prescrição de cannabis é fundamental para definir a melhor estratégia de tratamento para o seu cão.
O que fazer durante uma crise epiléptica?
Ver um cachorro convulsionando é assustador, mas manter a calma é fundamental. As crises podem variar bastante de um animal para outro. Nos casos mais evidentes, o cachorro perde a consciência e apresenta movimentos descontrolados dos membros. Já em casos mais sutis, as manifestações podem se limitar a tremores faciais, salivação excessiva ou comportamentos repetitivos.
Durante a crise, afaste objetos que possam machucar o cão, coloque algo macio sob a cabeça e evite segurá-lo com força. Ao contrário do que muitos pensam, cachorros não engolem a língua durante as convulsões. Por isso, nunca coloque a mão ou qualquer objeto na boca do animal.
A maioria das crises dura menos de dois minutos e cessa por conta própria. Se a crise durar mais de cinco minutos, se o animal tiver mais de uma crise em 24 horas ou não se recuperar normalmente após o episódio, procure atendimento veterinário de emergência.
O CBD possui contraindicações no tratamento da epilepsia canina?
O canabidiol apresenta um perfil de segurança favorável em cães quando administrado em doses adequadas. Em comparação aos anticonvulsivantes convencionais, que frequentemente causam sedação intensa e podem sobrecarregar o fígado ao longo do tempo, o CBD tende a apresentar menos efeitos adversos.
No entanto, como qualquer substância ativa, o canabidiol pode causar efeitos colaterais e interagir com outros medicamentos. Esse ponto merece atenção especial em cães com epilepsia, que geralmente já fazem uso de anticonvulsivantes. Por isso, o acompanhamento de um veterinário experiente na prescrição de cannabis é indispensável para garantir a segurança e a eficácia do tratamento.
Cannabis para epilepsia canina: tratamento nacional, sem precisar de importação
Muitos tutores ainda acreditam que o acesso a produtos de cannabis de qualidade depende de importação. O que poucos sabem é que já é possível tratar o seu cão com óleos nacionais, sem os custos de uma importação. A APEPI produz óleos há mais de dez anos e conecta tutores a veterinários experientes na prescrição de cannabis para cães.





